Massa no GP da China, 2007 [ formula1.com]
Em 16 de abril de 2008, o Altria Group (cujo antigo nome era Philip Morris), holding proprietária da Marlboro, anunciou que deixará a F1 ao término de seu contrato com a Ferrari, previsto para o fim de 2011. Em 26 de novembro, o poderoso grupo espanhol Santander anunciou que, a partir de 2010, deixará de patrocinar a McLaren e migrará para a Ferrari.
Ambas as notícias sinalizam que a presença da indústria tabagista na F1, restrita atualmente à equipe de Maranello, está com os dias contados, o que colocará ponto final a uma história de visibilidade e sucesso que já vem desde 1968, quando o lendário Colin Chapman colocou em sua Lotus as marcas do cigarro inglês Gold Leaf.
O "início do fim", digamos assim, começou em setembro de 2001, quando a Philip Morris, a British American Tobacco (Lucky Strike, West, Benson & Hedges) e a Japan Tobacco (Mild Seven) assinaram um acordo chamado ITPMS (International Tobacco Products Marketing Standard), que previa o fim da publicidade de cigarros ao fim de 2006, em acordo com o grande lobby anti-tabagista na Europa capitaneado pelo Comissário da UE para Saúde, Markus Kyprianou.
Em meados de 2005, a marca West deixou a McLaren. Em fins de 2006, a Lucky Strike deixou a Honda e a Mild Seven, a Renault. Entretanto, em setembro de 2005, a Ferrari contrariou o acordo e renovou seu contrato com a Philip Morris até 2011 por US$ 1,1 bilhao, constrangendo a Comunidade Européia, na qual ocorrem a maioria das corridas e onde a propaganda de cigarros é proibida.

Raikkonen e Massa na primeira fila do grid do GP da França, 2008 [formula1.com]
Em 2007, a Ferrari utilizou a marca Marlboro nos GPs do Bahrein, Mônaco e China, países nos quais não há restrição a esse tipo de publicidade. Entretanto, fez isso ciente de que a transmissão pela TV daria visibilidade à marca e sabendo que, assim, as rígidas regras européias anti-tagabistas poderiam ser burladas à distância.
Em abril de 2008, após ter usado os códigos-de-barra para camuflar seu patrocinador no GP do Bahrein, onde teoricamente não há restrições à propaganda tabagista, a Philip Morris confirmou que não voltara mais a inserir suas marcas nas carenagens ferraristas. Seria este o fim da publicidade do cigarro? Tudo indica que sim.
O futuro da F1 reserva tempos difíceis, com redução de custos e busca por novos patrocinadores. A saída da indústria tabagista é um sinal positivo, tanto pelo lado politicamente correto, como pela questão financeira. É necessário um novo horizonte em termos de fontes de recursos, ainda mais nestes tempos de crise econômica.












