19 de nov. de 2008

Carros de "outro planeta"

Williams-Renault FW14B de Nigel Mansell [Flickr.com]

Em 1993, Ayrton Senna, ainda na McLaren e prestes a assinar com a Williams, disse aos jornalistas: "o carro da Williams é de outro planeta".

O tricampeão, com essa frase, expressou a tamanha eficiência e velocidade do carro de Frank Williams e o seu sonho em dirigi-lo e voltar a brigar pelo título mundial.

De fato, os modelos FW14B, de 1992, e FW15C, de 1993, redimensionaram o esporte a motor, levando-o a um novo patamar de tecnologia e performance. Esses monopostos, que levaram respectivamente Nigel Mansell e Alain Prost à conquista do mundial de pilotos, entraram na história do automobilismo pela introdução da eletrônica que culminou em um domínio assombroso em termos de resultados.

Alain Prost conduz seu Williams-Renault FW15C [Flickr.com]

Vejamos o porquê disso.

Visando à temporada de 1991, o chefe de engenharia e sócio da Williams, Patrick Head, contratou o engenheiro aeronáutico Adrian Newey para ajudá-lo no projeto do novo carro. Newey vinha de uma boa passagem pela March no ano anterior, pela qual conquistou pódios e quase uma vitória. A principal característica de seu trabalho era a concepção aerodinâmica.

Para ganhar mais estabilidade e velocidade nas curvas, resumidamente, é fundamental que haja um fluxo de ar contínuo sob o carro, de modo a gerar um pressão aerodinâmica resultante para baixo, conhecida como "downforce". Quem regula esse fluxo são as suspensões que, por sua vez, adaptam-se às condições de pista e ao modo de condução do piloto.

Head então introduziu um software no carro com o objetivo de captar informações da pista e, automaticamente, ajustar a altura e a rigidez das suspensões, compensando perdas de aderência por ondulações da pista e mantendo o fundo do carro quase que paralelo ao solo. Esse conceito aplicado na prática ficou conhecido como suspensão ativa, que era baseada em um mecanismo hidro-pneumático, e não em amortecedores.


Mansell explica alguns dos detalhes que envolvem o FW14B

Esse binômio "concepção aerodinâmica-suspensão ativa" é o principal fator que explica por que a Williams se tornou um carro extremamente rápido.

Outros instrumentos eletrônicos também foram fundamentais, como o câmbio semi-automático ou "borboleta", o controle de tração, o acelerador eletrônico, os freios ABS e o diferencial autoblocante (transferência da potência do motor para as rodas mais aderentes). Sem falar no motor, o Renault 3.5L V10.

É bem verdade que em 1991 a Williams sofreu com a falta de confiabilidade de seu equipamento, o que abriu caminho para o tricampeonato de Senna. Entretanto, nos dois anos seguintes, a equipe garantiu os títulos mundiais de construtores, totalizando 20 vitórias e 30 poles num total de 32 GPs.

Tragicamente, tal binômio e grande parte dos acessórios eletrônicos foram retirados a partir de 1994 devido a mudanças no regulamento, justamente quando Senna chegou a Didcot, sede da Williams, para conduzir o carro que tanto desejou e que o levaria à morte.

Um comentário:

Unknown disse...

"Vejamos o porquê disso."
hahahhahahahahhahahahahhahaha

desocupado!!!!